As inundações e cheias causadas pela chuva e abertura de barragens destruíram não só as infraestruturas, no distrito de Manhiça, mas também devastaram severamente culturas agrícolas. O porta-voz da União Nacional de Camponeses (UNAC), José Catarino, um dos afectados pelas enchentes contou que apesar dos avisos sobre as inundações não deu para salvar a sua produção, uma vez que a sua cultura de bandeira (cana-sacarina) estava em fase de crescimento.
“Tinha 7,5 hectares de cana-sacarina e perdi tudo” explicou Catarino, sublinhando que lançou esta cultura em outubro, então quando começou a chover, a cana tinha cerca de 1,5 metros, entretanto, com as chuvas torrenciais e descargas a produção foi totalmente engolida pelas águas.
José previa produzir este ano cerca de 300 toneladas de cana-sacarina. “A perda total desta cultura, que para mim é uma cultura de bandeira, vai criar sérios problemas, porque não sei como arranjar a semente”, lamentou o camponês.
O porta-voz da UNAC, lamentou ainda o facto de este ano não poder fornecer este produto à Açucareira de Xinavane, facto que, segundo a fonte, poderá agravar o preço do açúcar, visto muitos camponeses do distrito de Manhiça perderam esta cultura.
Além da cultura de cana-de-açúcar, Catarino perdeu fruteiras e meio hectare (0,5ha) de plantações de hortícolas diversas, “em 2023 perdi 15 abacateiras, e em três anos volto novamente a perder abacateiras, relembrou.
Para evitar queda de árvores, o produtor transferiu-as para uma zona alta e cortou-as para possível regeneração. “Cortei para ver se dou forças as plantas, porque as águas já estavam a baixar, então estou a dar forças para ver se regeneram, estou a olhar para os ramos e não sei se voltam a brotar, concluiu.