
São palavras de Otília Jacoma, de 40 anos de idade, camponesa desde tenra idade, ela tem uma área de três hectares, onde produz milho, feijão bóer, arroz, mapira, batata-doce, mandioca e hortícolas diversas.
Jacoma tem três filhos, das quais duas já frequentam o ensino primário. Ela é mãe solteira, abandonada pelo marido, porque nasceu duas meninas portadoras de deficiência. Como produtora, ela enfrentava desafios para conservar as sementes, mas, o cenário mudou quando decidiu juntar-se aos outros camponeses da associação agropecuária de Namigonha, na província da Zambézia.
Durante anos Otília produzia e conservava as sementes para garantir a sobrevivência e assegurar a produção da campanha subsequente, uma missão que as vezes fracassava, pois tinha que usar estas sementes para alimentar os seus filhos, comprometendo assim a produção das épocas seguintes.
Situação que repetiu-se devido às secas prolongadas, ciclones, excesso de chuvas, altas temperaturas e pragas que tornaram inviável a germinação e consequentemente a conservação de sementes.
Porém, em 2019 a situação da Otília tomou novo rumo quando filiou-se à União Nacional de Camponeses (UNAC), e teve a oportunidade de participar de formações sobre conservação de sementes locais e nutrição. Uma iniciativa enquadrada no âmbito do projecto “Resgate, Multiplicação e Distribuição de sementes nativas, cuja a meta é de recuperar, distribuir e estabelecer bancos de sementes locais.
Foi nesta altura que Jacoma aprendeu pela primeira vez como conservar sementes e algumas técnicas de nutrição, algo que imediatamente introduziu na sua vivência. Através do projecto Otília melhorou é a dieta alimentar na sua família, e conservar sementes por muito tempo.
“Agora consigo guardar a minha própria semente para próximas épocas, algo que aprendi quando me juntei com os outros companheiros”, explicou Otília acrescentando que hoje é uma das grandes multiplicadoras de sementes locais e esta actualmente a multiplicar arroz local de variedade Napur.
Além da capacidade de conservar a semente e melhorar dieta familiar, quando o projecto iniciou em Gúruè, Jacoma conseguiu construir uma casa de tijolos queimados com coberturas de capim.
O seu maior sonho é de ter uma carinha de rodas para as suas filhas e conseguir mante-las na escola.